Por Fernanda Costa e Thaís Cordon
Pela maneira como anda sendo tratada, a sustentabilidade deve ser prioridade para o Brasil se destacar internacionalmente entre os países do Bric (que também inclui Rússia, Índia e China). A expectativa é que os membros deste bloco econômico terão peso determinante na economia mundial nas próximas décadas, segundo os critérios que atualmente são necessários para a competitividade internacional. Um deles, a produtividade, talvez não seja o forte da produção brasileira. China e Índia, por exemplo, dominam os setores de eletrodomésticos, softwares e em serviços médicos.
Dada sua biodiversidade, o desenvolvimento de estratégias econômicas mais sustentáveis pode ser a salvação da lavoura brasileira. A avaliação é do professor e mestre em engenharia de produção, com ênfase em logística ambiental, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rogério Valle.
Entretanto, para o país seguir por este caminho verde será necessário que a população – e o empresariado – tenha consciência da verdadeira ideia de sustentabilidade. Daí surge a inevitável questão: isto será possível?
O economista e professor da Universidade Paulista (UNIP) Marco Aurélio Moretti avalia que seria um risco propor um novo modelo econômico que não seja baseado em nossa realidade. “Cada país deve procurar o modelo que lhe convenha, de acordo com as suas características próprias.”
A questão é saber se ainda existe tempo para a mudança. Pesquisadores alertam, por exemplo, que as agriculturas extensivas que provocam a desertificação por mau uso do solo ou mudanças climáticas, são exemplos de padrões insustentáveis. Pensar sobre isto seria obrigatório num país de economia eminentemente agrícola. Entretanto, somente em São Paulo, quatro milhões dos 18 milhões de hectares utilizados já estão nesta situação.
Outros estudos comprovam que 24,95% da região semiárida do nordeste estão comprometidas em vários níveis de degradação ambiental. A perda agregada de solo é de 200 mil toneladas/ano, e o impacto de alguns produtos é enorme. Provavelmente o consumidor não imagina que para cada quilo de soja, perde-se 10 quilos de solo e para cada quilo de algodão plantado, 12 quilos de solo.
Para a advogada especializada em Direito do Consumidor e Direito Ambiental e professora da FMU Alessandra Sutti, há um árduo e oneroso caminho, fazendo com que a sustentabilidade não saia do papel, quando se trata de seguir sua etimologia, mas seja colocada em prática quando se trata de lucratividade.
A especialista alega que a sustentabilidade só serve de plano de fundo para aqueles que enxergam os verbos como ação - tornar, garantir, atender, comprometer - enquanto sua efetividade é compreendida pela conjugação dessas ações - tornar (É) garantir (E) atender (SEM) comprometer. “Quanto ao Brasil, enquanto for tratado como mero canteiro de obras, estaremos equidistantes da tão almejada harmonia, quiçá da sustentabilidade.”