segunda-feira, 8 de abril de 2013

O sonho de ser mãe e a desilusão com os filhos


É difícil precisar em que época foi estabelecido o conceito de que uma mulher só será completa quando gerar um filhos. Mas há anos mulheres perdem noites de sono imaginando como será quando o grande dia chegar. Foi isso que aconteceu com Lucinda, 60 anos.
Luci, como prefere ser chamada, casou-se ainda muito jovem, quando tinha apenas 16 anos, no interior de Minas Gerais. Ela conta que era muito apaixonada e se sentia extremamente feliz com o amado, no entanto, para completar a felicidade do casal faltava uma criança.
Foi quando Luci conseguiu engravidar, porém a alegria não dourou por muito tempo, após alguns meses de gestação – ela não sabe ao certo quanto – sofreu um aborto espontâneo. Passado algum tempo ela engravidou novamente, mas mais uma vez o sonho de ser mãe foi interrompido. Segundo o médico consultado na época, Luci não poderia voltar a engravidar, “uma nova gestação poderia ser fatal”, recorda.
Luci então resolveu que deveria aceitar a sua realidade e que deveria esquecer a ideia de ser mãe.  Foi quando o casal mudou-se para São Paulo. Por ironia do destino, uma vizinha bateu em sua porta e pediu para que ela olhasse seu bebê por alguns dias, pois precisava fazer uma viajem e não tinha com quem deixar sua filha. Luci, claro, aceitou.
Quase 15 dias depois e nem sinal da mãe da criança. Um mês havia se passado, quando a mãe voltou e disse que não tinha condições de criar a criança. Luci, uma mulher de bom coração, adotou a menina. “Ela se transformou em uma mulher guerreira, tenho muito orgulho da minha filha”, conta Luci.
A filha de Luci, teve um filho, que aos 15 anos de idade resolveu se assumir homossexual. No inicio a família não quis aceitar, a avó chegou até a levar o garoto ao médico na esperança de uma possível “cura”. “O médico me explicou que homossexualidade não é uma doença, portanto, não poderia ser curado com remédios”, desabafa.
Se vendo de mãos atadas, a família achou por bem acolher o rapaz, ajudando-o a superar todo o preconceito existente. Depois de diversas cirurgias ao decorrer dos anos, Thiago já não é visto por todos como homem, ele se transformo em uma mulher de parar o transito e chama atenção por onde passa.
No entanto, tanto “sucesso” fez com que o jovem começasse a explorar Luci para manter seus “luxos e vícios”. “Ele roupa meus cartões de crédito e eu me vejo obrigada a pagar para não ter o nome sujo”, explica.
Mas para Luci, apesar de doloroso, diz que este é dos males é o menos. “O que mais me dói é saber que dei tanto amor a uma pessoa e hoje ela me ameaça, me xinga, já chegou até a me agredir fisicamente com empurrões”, afirma.
Isso foge do ciclo natural de vida, em que a mãe cuida do filho e mais tarde o filho passa a cuidar da mãe. No entanto, isso é mais comum do que se imagina. Segundo dados do site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a violência psicológica e a financeira estão presentes em 85% das demandas relacionadas a crimes contra idosos atendidos pela Central Judicial do Idoso (CJI), durante o ano de 2012. Em 50%, houve queixa de violência psicológica, caracterizada por insultos, ameaças e outros tipos de agressões verbais e gestos que afetam a autoimagem, a identidade e a autoestima do ofendido. Em 35% dos casos, foi registrada violência financeira ou patrimonial na qual ocorre indevida exploração da renda e apropriação do patrimônio do idoso, às vezes obrigando-o a contrair empréstimos e outras dívidas ou a se desfazer de seus bens.
Apesar de todo o sofrimento, Luci continua acreditando no ser humano. Recentemente adotou mais uma criança, que cuida como se tivesse nascido dela mesma.