É difícil precisar em que época foi
estabelecido o conceito de que uma mulher só será completa quando gerar um
filhos. Mas há anos mulheres perdem noites de sono imaginando como será quando o
grande dia chegar. Foi isso que aconteceu com Lucinda, 60 anos.
Luci, como prefere ser chamada, casou-se
ainda muito jovem, quando tinha apenas 16 anos, no interior de Minas Gerais.
Ela conta que era muito apaixonada e se sentia extremamente feliz com o amado,
no entanto, para completar a felicidade do casal faltava uma criança.
Foi quando Luci conseguiu engravidar, porém
a alegria não dourou por muito tempo, após alguns meses de gestação – ela não
sabe ao certo quanto – sofreu um aborto espontâneo. Passado algum tempo ela
engravidou novamente, mas mais uma vez o sonho de ser mãe foi interrompido.
Segundo o médico consultado na época, Luci não poderia voltar a engravidar, “uma
nova gestação poderia ser fatal”, recorda.
Luci então resolveu que deveria aceitar
a sua realidade e que deveria esquecer a ideia de ser mãe. Foi quando o casal mudou-se para São Paulo.
Por ironia do destino, uma vizinha bateu em sua porta e pediu para que ela olhasse
seu bebê por alguns dias, pois precisava fazer uma viajem e não tinha com quem
deixar sua filha. Luci, claro, aceitou.
Quase 15 dias depois e nem sinal da mãe
da criança. Um mês havia se passado, quando a mãe voltou e disse que não tinha
condições de criar a criança. Luci, uma mulher de bom coração, adotou a menina.
“Ela se transformou em uma mulher guerreira, tenho muito orgulho da minha filha”,
conta Luci.
A filha de Luci, teve um filho, que aos
15 anos de idade resolveu se assumir homossexual. No inicio a família não quis
aceitar, a avó chegou até a levar o garoto ao médico na esperança de uma
possível “cura”. “O médico me explicou que homossexualidade não é uma doença,
portanto, não poderia ser curado com remédios”, desabafa.
Se vendo de mãos atadas, a família achou
por bem acolher o rapaz, ajudando-o a superar todo o preconceito existente. Depois
de diversas cirurgias ao decorrer dos anos, Thiago já não é visto por todos
como homem, ele se transformo em uma mulher de parar o transito e chama atenção
por onde passa.
No entanto, tanto “sucesso” fez com que
o jovem começasse a explorar Luci para manter seus “luxos e vícios”. “Ele roupa
meus cartões de crédito e eu me vejo obrigada a pagar para não ter o nome sujo”,
explica.
Mas para Luci, apesar de doloroso, diz que
este é dos males é o menos. “O que mais me dói é saber que dei tanto amor a uma
pessoa e hoje ela me ameaça, me xinga, já chegou até a me agredir fisicamente
com empurrões”, afirma.
Isso foge do ciclo natural de vida, em
que a mãe cuida do filho e mais tarde o filho passa a cuidar da mãe. No
entanto, isso é mais comum do que se imagina. Segundo dados do site do Tribunal
de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a violência
psicológica e a financeira estão presentes em 85% das demandas relacionadas a
crimes contra idosos atendidos pela Central Judicial do Idoso (CJI), durante o
ano de 2012. Em 50%, houve queixa de violência psicológica, caracterizada por
insultos, ameaças e outros tipos de agressões verbais e gestos que afetam a
autoimagem, a identidade e a autoestima do ofendido. Em 35% dos casos, foi
registrada violência financeira ou patrimonial na qual ocorre indevida
exploração da renda e apropriação do patrimônio do idoso, às vezes obrigando-o
a contrair empréstimos e outras dívidas ou a se desfazer de seus bens.
Apesar de todo o sofrimento, Luci
continua acreditando no ser humano. Recentemente adotou mais uma criança, que
cuida como se tivesse nascido dela mesma.
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