Og Pozzoli: o pai do antigomobilismo
Ter
um carro está nos planos de muita gente, mas para muitas pessoas é muito mais
que ter um veículo, é curtir uma paixão. É como ter pedaço da história em sua
própria garagem. Os carros antigos não são simplesmente carros, são peças raras
feitas à mão, em uma época em que não se tinha pressa e que passear em um deles
era um acontecimento.
Mas
como falar de carros antigos sem falar de Og Pozzoli? E lá fui atrás daquele
que é considerado o “pai” do antigomobilismo. Confesso a vocês que fui
surpreendida. Og me recebeu em seu escritório na Av. Pacaembu, ao chegar me
deparei com uma Mercedes branca de 40 anos atrás, uma verdadeira obra de arte
bem ali estacionada. Subindo a escadaria
do imóvel, bem no topo me esperava um senhor de cabelos brancos e um bigode bem
simpático. Era Og.
O
empresário, de 81 anos, é dono de uma colação de 170 carros restaurados e
guarde em seu acervo mais que máquinas, guarda muitas histórias. Og é
proprietário, por exemplo, do Lincon 1938, carro que carregou o Papa João Paulo
II, em sua primeira visita ao Brasil. Adivinhem quem foi o motorista? Seus
carros também fizeram parte da homenagem aos 70 anos da Imigração Japonesa. E
desta vez, Og dirigiu para a imperatriz Michiko, na época princesa do Japão.
Og
Pozzoli começou sua coleção sem perceber. Seu primeiro carro que se tornou
artigo de colação foi um Lincon Continental 1948, ele o adquiriu em 1958. “Era
um o carro topo de linha da Ford, mas dez anos depois ninguém mais o queria.” É
até fácil explicar os motivos da rejeição do carro. Para quem era rico, dez
anos depois, o carro já era velho, para quem não tinha tanto dinheiro ter um
Lincon Continental 1948 significava prejuízo, pois consumia muita gasolina.
Um
ano depois, Og comprou um fusca, “não tive coragem de me desfazer do Lincon.
Com ele conquistei meu sucesso como empresário, e foi com ele que conheci minha
esposa”. Resultado acabou ficando com os dois. Mais tarde adquiriu um Ford 28,
só passar o carnaval. Isso era o que Og pensou que fosse acontecer, mas mais
uma vez não conseguiu se desfazer do carro. “Foi aí que descobri que tinha
espírito de colecionar”, afirmou o empresário.
E
foi assim, carro após carro que Og foi montando sua colação. Mas o empresário faz
questão de ressaltar que há uma grande diferença entre carro antigo e carro
velho. “É melhor ter poucos carros, mas todos bem restaurados, que muitos mal
cuidados.”
Como
diz o ditado dos antigomobilistas, carro parado, sinal de carro quebrado.
Manter essas ‘belezinhas’ não é tarefa fácil. “Os mantenho totalmente
desativados. Eles ficam em cavaletes, sem gasolina, água ou óleo”, alerta
Pozzoli.
Se
me permitem, tenho outra confissão a vocês. Depois de testemunhar o brilho do
olhos de Og Pozzoli ao falar de suas jóias, não é difícil entender como é fácil
se fascinar pelo mundo dos antigos. Como o próprio Og definiu “este é um mundo
encantado.”
