(Novembro/2011)
A
Universidade de São Paulo (USP) uma das melhores faculdades do País, senão a
melhor, e reconhecida mundialmente é dona de um currículo de dar inveja a
qualquer universidade. Detentora de vários prêmios, entre eles o de estar entre
as 500 melhores universidades do mundo, por exemplo, segundo a própria instituição,
é fruto do talento e dedicação dos docentes, alunos e funcionários. Mas a USP
não detém apenas títulos, também coleciona diversos escândalos ao longo de toda
a sua existência. O mais recente foi a ocupação da reitoria da Universidade por
estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH), que
reivindicam a saída da Polícia Militar do campus. A ocupação durou cerca de
dois meses, mas chegou ao fim na madrugada do último dia 8 de novembro e se
tornou assunto nos principais jornais da cidade.
Durante
a reintegração, 73 alunos foram detidos e indiciados por dano ao patrimônio
público e desobediência à ordem da Justiça. Eles também foram responsabilizados
por danos ambientais devido às pichações feitas nas paredes do imóvel. O
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, chegou a falar, na ocasião, que os
estudantes retirados do prédio da reitoria precisavam de “uma aula de
democracia.”
O
movimento “Fora PM” tem sido motivo de muitas discussões e tem divido opiniões.
Segundo o professor universitário, Vinícius Souza, os estudantes querem
segurança, mas afirma “não da PM, a polícia mais violenta do mundo, treinada
para vigiar e reprimir. A universidade é um espaço de livre pensamento, não de
repressão. O que vai trazer segurança para a USP é uma iluminação descente e,
principalmente, a abertura do campus ao público.”
Já
para o jornalista Luiz Fernando Secco, os alunos da Universidade de São Paulo
“não passam de ‘filhinhos de papai’, que não tem o mínimo respeito com o
patrimônio da sociedade”, desabafa o comunicador.
Segundo
o jornalista, que diz já ter sido convidado para diversas festas realizadas
dentro da Universidade, “a USP é ‘terra de ninguém’, todo mundo faz o que quer
e lá é o paraíso das drogas. As pessoas tentam justificar seus erros, e não
querem ser punidas por eles, por isso querem a PM fora”, afirma Secco.
Essa
discussão, ao que tudo indica, não terá um fim tão próximo e tem muita água
para rolar. Enquanto os alunos e uma minoria defendem que a segurança da USP
precisa ser feita por uma guarda preparadas para lidar com o indivíduo, outros
continuam achando que os alunos são apenas ‘garotos mimados’ que já já voltam para as suas casas e tudo acabará em
nada. Contudo, o mais importante é a sociedade se conscientizar de que SIM,
precisamos de uma policia melhor preparada.
A polícia que mata
Dados divulgados pela Secretaria de Segurança
e analisados pela Ouvidoria da polícia mostram que em cinco anos - período de
2005 a 2009 - a Polícia Militar de São Paulo matou mais que todas as polícias
dos Estados Unidos juntas.
Em
entrevista publicada no blog Arma Branca
(armabranca.blogspot) o ex-subsecretário nacional de Segurança, Guracy
Mingardi, diz que tal fato se dá por uma questão cultural da sociedade
brasileira, que tende a apoiar os
assassinatos cometidos por
policiais e prega que “bandido bom é
bandido morto.”
No
livro Rota 66 - A história da Polícia que
Mata, escrito pelo jornalista Caco Barcellos, por exemplo, fruto de oito
anos de pesquisas, reúne dados que levam a identificação de 4.200 vítimas, em sua
maioria jovens negros e morados de favelas, mortos por policiais militares.
Segundo explicações da PM, todas as mortes se deram por resistência dos
delinqüentes, mas nem todos os assassinatos ficaram totalmente esclarecidos.
Como fazer a diferença?
Segundo
o professor Vinícius Souza, as coisas só irão mudar quando a sociedade mudar o
seu modo de pensar. “Não podemos permitir que a PM entre na USP e reprima os
alunos, assim como não devemos aceitar que façam isso com o morador do Grajaú.
O que a sociedade quer é que a PM bata nos estudantes, assim como é feito com o
cara que mora no Grajaú”, conclui o professor.