quarta-feira, 18 de julho de 2012

Movimento ‘Fora PM’ divide opiniões


(Novembro/2011)

A Universidade de São Paulo (USP) uma das melhores faculdades do País, senão a melhor, e reconhecida mundialmente é dona de um currículo de dar inveja a qualquer universidade. Detentora de vários prêmios, entre eles o de estar entre as 500 melhores universidades do mundo, por exemplo, segundo a própria instituição, é fruto do talento e dedicação dos docentes, alunos e funcionários. Mas a USP não detém apenas títulos, também coleciona diversos escândalos ao longo de toda a sua existência. O mais recente foi a ocupação da reitoria da Universidade por estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH), que reivindicam a saída da Polícia Militar do campus. A ocupação durou cerca de dois meses, mas chegou ao fim na madrugada do último dia 8 de novembro e se tornou assunto nos principais jornais da cidade.
Durante a reintegração, 73 alunos foram detidos e indiciados por dano ao patrimônio público e desobediência à ordem da Justiça. Eles também foram responsabilizados por danos ambientais devido às pichações feitas nas paredes do imóvel. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, chegou a falar, na ocasião, que os estudantes retirados do prédio da reitoria precisavam de “uma aula de democracia.”
O movimento “Fora PM” tem sido motivo de muitas discussões e tem divido opiniões. Segundo o professor universitário, Vinícius Souza, os estudantes querem segurança, mas afirma “não da PM, a polícia mais violenta do mundo, treinada para vigiar e reprimir. A universidade é um espaço de livre pensamento, não de repressão. O que vai trazer segurança para a USP é uma iluminação descente e, principalmente, a abertura do campus ao público.”
Já para o jornalista Luiz Fernando Secco, os alunos da Universidade de São Paulo “não passam de ‘filhinhos de papai’, que não tem o mínimo respeito com o patrimônio da sociedade”, desabafa o comunicador.
Segundo o jornalista, que diz já ter sido convidado para diversas festas realizadas dentro da Universidade, “a USP é ‘terra de ninguém’, todo mundo faz o que quer e lá é o paraíso das drogas. As pessoas tentam justificar seus erros, e não querem ser punidas por eles, por isso querem a PM fora”, afirma Secco.
Essa discussão, ao que tudo indica, não terá um fim tão próximo e tem muita água para rolar. Enquanto os alunos e uma minoria defendem que a segurança da USP precisa ser feita por uma guarda preparadas para lidar com o indivíduo, outros continuam achando que os alunos são apenas ‘garotos mimados’ que já já  voltam para as suas casas e tudo acabará em nada. Contudo, o mais importante é a sociedade se conscientizar de que SIM, precisamos de uma policia melhor preparada.
 A polícia que mata
Dados divulgados pela Secretaria de Segurança e analisados pela Ouvidoria da polícia mostram que em cinco anos - período de 2005 a 2009 - a Polícia Militar de São Paulo matou mais que todas as polícias dos Estados Unidos juntas.
Em entrevista publicada no blog Arma Branca (armabranca.blogspot) o ex-subsecretário nacional de Segurança, Guracy Mingardi, diz que tal fato se dá por uma questão cultural da sociedade brasileira, que tende a apoiar  os assassinatos  cometidos por policiais  e prega que “bandido bom é bandido morto.”
No livro Rota 66 - A história da Polícia que Mata, escrito pelo jornalista Caco Barcellos, por exemplo, fruto de oito anos de pesquisas, reúne dados que levam a identificação de 4.200 vítimas, em sua maioria jovens negros e morados de favelas, mortos por policiais militares. Segundo explicações da PM, todas as mortes se deram por resistência dos delinqüentes, mas nem todos os assassinatos ficaram totalmente esclarecidos.
Como fazer a diferença?
Segundo o professor Vinícius Souza, as coisas só irão mudar quando a sociedade mudar o seu modo de pensar. “Não podemos permitir que a PM entre na USP e reprima os alunos, assim como não devemos aceitar que façam isso com o morador do Grajaú. O que a sociedade quer é que a PM bata nos estudantes, assim como é feito com o cara que mora no Grajaú”, conclui o professor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário