quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Psiu, o veneno está escorrendo


Cuidado para que seus hábitos não se transformem em seu destino

Ando de transporte público todos os dias e quem utiliza esse meio para se deslocar pela cidade há de concordar comigo que a velha máxima “mais um na multidão” não se aplica em São Paulo, pelo menos não dentro dos ônibus e trens da capital paulista.
É comum alguns se destacarem nos coletivos da cidade, seja para o bem ou para o mau. Sempre há aquela pessoa que não conseguimos para de olhar tamanha sua beleza, aquelas amigas empolgadíssimas que de tão nostálgicas não conseguem conter os ânimos e compartilham com todos a tal novidade que as deixou tão eufóricas. Há também aquelas pessoas que acham que somos obrigados a ouvir as suas conversas ao celular, pois falam aos berros, ou ainda que temos que compartilhar do mesmo gosto musical que o outro, estes tem alguma dificuldade de usar fones de ouvido.
Ontem na minha volta para casa fiquei impressionada com o que eu vi, ou melhor, ouvi. Esperando na fila para entrar no lotação – aliás, é incrível como o povo brasileiro adora fila, não podem ver ninguém parado que em segundo isso se torna uma fila quilométrica - atrás de mim uma senhora, aparentemente com quase 50 anos, reclamando e desdenhando dos que passavam.
Primeiro essa senhora falou o coque que a outra estava usando – aquele que fazemos quando não estamos muito afim de arrumar o cabelo e resolve qualquer que seja a situação dele. Não satisfeita começou a falar de outra mulher que não passou a catraca e ficou conversando com o motorista e o cobrador, muito provavelmente  eram conhecidos, mas para essa doce senhora ela estava ali somente para não pagar a condução.  E não parou por ai durante todo o percurso até o ponto onde ela desceu, um antes do meu, não houve uma trégua se quer, nem as pessoas que passavam na rua escaparam de sua língua afiadíssima.
Isso me fez refletir sobre o que leva uma pessoa a falar de outra. Que direito temos de julgar e apontar os defeitos do outro?
Normalmente, na maioria dos casos, quem faz isso são aquelas pessoas que não tem muito que fazer ou levam uma vida tão sem emoção, que para se distrair acabam usando o outro. O problema é que o que fazemos na nossa vida, nossas conquistas, derrotas, sofrimentos e prazeres, comportamentos do cotidiano, tudo será repetido infinitas vezes, como defendia o pensador alemão Nietzsche.
Acho que o que ele quis dizer com isso é que tudo o que fazemos vira hábito e, às vezes, tudo fica tão automático que nem nos damos conta de que estamos fazendo. É como reclamar de todos os seus namoros que não deram certo, mas não parar para pensar no por que não deram certo. Na teoria é fácil, vamos começar avaliando o porquê cada um acabou. Será que a culpa foi sempre do outro, ou será que em todos os seus relacionamentos você cometeu os mesmos erros?
Criamos padrões e os repetimos diariamente, até aí tudo bem, pois os hábitos economizam energia e nos liberam para novas tarefas.  Mas é preciso ser responsável por sua vida, como se ela fosse se repetir infinitas vezes, pois o hábito pode, sem querer, virar seu destino.


 

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